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15 de mar de 2010

Lanche é "confiscado"na escola. O que você acha?


A Escola Carlitos, em São Paulo, proíbe o consumo de guloseimas e refrigerantes diante disso, quem leva esses tipos de alimentos, volta com a lancheira cheia e um bilhetinho para os pais lembrando as regras do colégio. A criança não passa fome, pois os colegas dividem seu lanche conforme relatou a coordenadora pedagógica da escola ao jornal O Estado de São Paulo.
Agora responda: O que você acha deste tipo de medida que está sendo usada no combate à obesidade infantil?

A obesidade infantil atinge no Brasil quase 15% das crianças, o mesmo índice que nos Estados Unidos. Sem dúvida é necessário tomar providências pois trata-se de uma doença crônica, considerada epidêmica pela OMS (organização Mundial da Saúde). O problema vai além das questões estéticas, que também são importantes para uma boa auto-estima, a obesidade trás com ela diabetes, taxas altas de colesterol, hipertensão e problemas cardíacos. Tudo isso em crianças??? Sim em crianças, que carregarão consigo essas patologias pelo resto da vida.
A questão é: será que proibir o consumo de guloseimas e refrigerantes no lanche da escola e até confiscá-los resolve alguma coisa? 
Existem outras escolas que tiveram a mesma iniciativa de proibição como a Stance Dual, também citada na matéria do Estadão. Em Natal (RN), uma lei municipal proíbe a venda de alimentos pouco saudáveis na escola, o que ocorre também em outras cidades.


Eu, assim como outros profissionais que trabalham com obesos, acredito que proibir não ajuda. Concordo com a endocrinologista Angela Spinola e Castro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que disse ao O Estado de São Paulo: "A escola não pode transferir para si um papel que não é dela. Se a criança vem de uma casa onde as pessoas comem sem restrição, não vai aceitar isso" . Ela acrescenta que é difícil proibir esses alimentos devido ao forte marketing e ainda corremos o risco de torná-los mais atrativos. Essa afirmação vai ao encontro das ações realizadas pelo governo do Reino Unido que parou de responsabilizar a propaganda pela epidemia e decidiu criar uma campanha para incentivar a mudança na dieta das crianças e o aumento na quantidade de atividade física. 


No post Obesidade Infantil faço um depoimento:
Quando eu era criança tomava refrigerante (normal, porque não existia ligth) e comia salgadinho frito ou hamburger, todos os dias no lanche escolar, fora o chocolate, balas e doces. E não fiquei obesa... Sorte? Genética? Nada disso! Eu chegava em casa e não tinha computador, nem video-game, nem TV a cabo, eu ia brincar no playground! Também não tinha miojo, nem comida processada para jantar, nem bolacha recheada aos montes... 


Os tempos mudaram e os hábitos também. Acho interessante a escola adotar iniciativas em prol de uma alimentação saudável, mas para isso é preciso envolver a família, pois o lanche é o menor dos problemas.
Na minha opinião a postura da escola deve ir além da simples proibição, proibir é fácil e não educa. Existem outros meios, mais trabalhosos, onde há chance de se obter bons resultados.

  • Alimentação/nutrição deve ser usado como tema transversal (A Escola Carlitos faz isso). A Educação alimentar deve permear disciplinas como ciências, biologia, matemática e educação física.
  • A venda de guloseimas na cantina pode e deve ser proibida. Aqui estão em jogo os valores da Escola e não os da Família do aluno.
  • Ao oferecer refeições (almoço, lanche), o cardápio deve ser elaborado por um Nutricionista. E a equipe que vai prepará-los deve receber treinamento.
  • A escola pode desenvolver uma proposta permanente de intervenção, com palestras para pais e professores, triagem e encaminhamento de alunos obesos e com sobrepeso para tratamento. Da mesma forma que o fazem com odontólogos, fonoaldiólogos e psicólogos, sempre que há necessidade. 
  • Criar um programa de atividade física específico que priorize a participação das crianças obesas e com sobrepeso que normalmente tem mais dificuldade para acompanhar as aulas de Educação Física e acabam ficando desestimuladas, alguma até criando aversão à prática de exercícios.
Estou esperando sua opinião sobre esse assunto. 
Participe!

8 comentários:

  1. em primeiro lugar não acredito que a escola tenha direito legal de confiscar lanches a menos que ponham em risco imediato a criança (álcool, drogas, facas). em segundo, não cabe à escola determinar, e sim educar o aluno (que bem convencido pode pressionar a familia) e a familia (que conquistada pode sim educar a criança).

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  2. Eu acho uma medida válida.
    Desde que hajam também palestras conscientizando os pais e filhos a mudarem para uma alimentação saudável.
    Pois de que adiantaria proibir na escola e em casa comer desmedidamente?!
    Abraços
    Bom post

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  3. André e Dani,

    Obrigada pela participação. As opiniões são diferentes e era justamente isso que eu queria, colocar em discussão essa atitude polêmica das escolas.

    Um abraço

    Denise

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  4. é um ótima sugestão,já que em casa ás vezes é inevitável,aí entra a escola para educar,porém a família tem que participar.

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  5. Eu apoio 100% este projeto. Como escrevi no meu blog, antigamente nós comíamos estas "besteiras" na escola, mas tínhamos uma educação alimentar melhor que hoje em dia que tudo é enlatado, congelado e com muitos conservantes.
    Mas hoje, principalmente em escolas públicas, algumas crianças tem sua melhor ou unica alimentação neste estabelecimento. E se elas tiverem acesso a este tipo de alimentação é claro que elas vão preferir.
    Por isso que acho que a escola e a familia tem que seguir juntas nesta luta.
    Beijos

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  6. Concordo que proibir não educa, mas ajuda ... adoraria que na escola da minha filha fosse proibido. Ela não consome estas besteiras em casa, mas está sujeita a isso na escola, onde os amiguinhos levam e oferecem ... Os pais deviam ter o mínimo de consciência que escola é um ambiente coletivo e nem todas as crianças comem salgadinho e tomam refrigerante. Não mandar salgadinho e refrigerante no lanche das crianças seria, no mínimo, respeito ao próximo. Sem falar em respeito ao próprio filho ...

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  7. Olá!
    Sou professora (Educação Infantil) e concordo sim, com esta medida.
    Nas escolas em que eu trabalho também não é permitido guloseimas, salgadinhos e refrigerantes na hora do lanche. Isso fica claro já quando os pais veem conhecer a escola, novamente é lembrado na agenda, recados gerais, reuniões de pais, etc.
    O pai que envia este tipo de lanche, para mim, está burlando uma regra da escola, que é de conhecimento dele. Portanto, nada mais certo do que corrigir o ato.
    É claro que não deixaremos nenhuma criança passar fome no perído em que está na escola, usamos da prática de dividir o lanche com alguns amigos, e confesso que já precisei utilizar desta artimanha vária vezes (até mesmo mais de uma vez com uma mesma criança)
    Obrigada pelo espaço,
    Joana

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    Respostas
    1. Então as escolas deveriam proibir aquilo que não faz bem e não proibir praticamente tudo. Uma criança com aleria a lactose ... O que ela deve fazer ??? Minha filha e assim e esta com 190 de colesterol . E mesmo assim a escola EMEB proíbo ela de levar alimento adequado !!!

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