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26 de abr de 2010

Esporte não é coisa pra criança! Diga sim à Educação Física!

Recebi um convite da Thelma, do Blog Educar e Cuidar para fazer uma dobradinha sobre o tema esporte e infância. A ideia surgiu depois dela ler uma entrevista com o Antropólogo Roberto DaMatta, A Escola é uma miniatura do mundo coletivo, que a fez pensar sobre a importância das praticas esportivas para o desenvolvimento infantil, principalmente porque em determinado trecho o Antropólogo critica o esporte radical.
"...Podíamos estudar os comportamentos em restaurantes, em praças ou atividades esportivas. Aliás, isso [a prática de esportes coletivos] diminuiu muito no Brasil. Agora estão praticando mais o esporte radical. O esporte radical é individualista. A ideia do time, da torcida era importante para uma identidade mais “englobadora”, que leva você para o coletivo. Quando você faz parte de um time, você tem que se entender com alguém mais inteligente, que tem uma cor diferente da sua, mora num bairro mais rico ou mais pobre que o seu..."
Eu discordo dessa opinião e a própria Thelma, chega à essa conclusão sozinha quando afirma em seu texto:
"O que fiz de coletivo e de individual? O que aprendi com cada esporte, com cada técnico, com cada companheiro? Para mim, mesmo quando é individual, o esporte tem a ideia de grupo: o corpo de baile, a equipe de natação do Clube Espéria."
 Vamos por partes primeiro é preciso entender que Esporte, por si, não é coisa de escola, muito menos de criança. O esporte é um fenômeno apresenta algumas características muito claras que o identificam:
  • Competição
  • Na maioria das vezes envolve esforço físico vigoroso e habilidades motoras complexas
  • Alta performance
  • Tem como objetivo comparar rendimento
  • É protagonizado pelo atleta
No Esporte, o importante é ganhar! Ou você acredita que o atleta treina como um louco, na maioria das vezes com dor, às vezes até em prejuízo de sua saúde, só para competir.

Na escola temos a Educação Física e quando as modalidades esportivas começam a fazer parte do contexto escolar temos o Esporte Educacional, que surge a partir da Carta Internacional da Educação Física, elaborada pela UNESCO, que renovou os conceitos do esporte em função da reação mundial pelo uso político do esporte durante a Guerra Fria. E que já foi tema de post neste blog.

Entendendo então que o Antropólogo Roberto DaMatta, se refere ao Esporte Educacional, concordo que a escola seja uma miniatura do mundo coletivo e que poderíamos estudar os comportamentos em diversos ambientes mas discordo quando diz que o "esporte radical" seja individualista.
Aqui existe mais um problema conceitual, pois nem todo "esporte radical" é individual e nem todo "esporte individual" é radical. Conceitos à parte o fato é que no momento da ação em si, o indivíduo está sozinho, fora isso todo o processo de treinamento e até o segundo antes de competir há um trabalho em equipe por trás. O que reproduz muitas situações que a criança irá encontrar fora da escola, em sua vida pessoal ou profissional. E quem disse que no "esporte individual" não há torcida, ou que há homogeneidade no que se refere ao gênero, raça ou classe social daqueles que participam. Aliás esses são princípios contemplados no Esporte Educacional.

O mais importante é ficar atento à como essas práticas motoras serão apresentadas e conduzidas. A Educação Física Escolar não pode ser vista como uma sub-disciplina ou um momento de lazer. Ela é de suma importância para o desenvolvimento infantil. Deveria haver uma preocupação por parte dos pais em cobrar dos professores tanto quanto cobram quando se trata da Língua Portuguesa ou da Matemática. A Educação Física Escolar prepara a criança para a competição e para a cooperação, para o individual e para o coletivo. Ensina a socializar, ensina a conviver e respeitar as diferenças. Mais do que a prática, ensina a entender e apreciar o fenômeno Esporte, suas relações econômicas e políticas. E proporciona o conhecimento para manter um organismo mais saudável por toda a vida.
Em tempo: Estamos no Biênio da Educação Física Escolar.

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