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11 de out de 2010

Crianças e adolescentes obesos sofrem em silêncio. Como ajudar?

Este texto faz parte da postagem coletiva pelo Dia Nacional de Combate à Obesidade promovida pelo Infobeso – Um Blog de Peso.
 Vez por outra recebo e-mails de crianças e adolescentes que estão acima do peso e pedem ajuda e fico pensando, imagine o que está sentindo uma criança/adolescente que pede ajuda para um total desconhecido?
Recebi um e-mail esta semana que mexeu comigo. O nome da adolescente será preservado e as partes relevantes estarão destacadas.



Meu nome é .... , tenho 15 anos, tenho 1.70 e peso mais ou menos 120 kg, é, eu sei, to mmmuuuiittooo acima do peso.
Então, vou te contar um pouco a minha história.
Desde quando eu nasci eu fui gordinha, pra ter uma idéia, minha madrinha não conseguia ficar muito tempo comigo no colo no meu batizado.
Minha mãe ela já chegou a pesar 100 kg, mas hoje ela tá com uns 65 kg. Meu pai é obeso, ele tem em torno de uns 145 kg, por ai.
Bom, eu não freqüento academia, porque eu tenho vergonha, muita vergonha, e também não saio muito na rua por causa da minha baixo-estima.
Sempre me imagino com um corpo bonito, pois dizem que tenho um rosto bem bonito, me imagino uma garota perfeita, mas isso fica só na imaginação.
Gosto muito de assistir matérias sobre pessoas obesas, que não conseguem andar, pois assim, eu vejo se consigo acordar, e acordo e penso “Vou começar minha dieta amanhã”, mas no dia seguinte não consigo colocar isso em prática.
Quando eu tinha 11/12 anos, eu comecei a jogar handebol, naquela época eu pesava 62 kg.
Meu pai sempre se incentiva a emagrecer, já quis pagar academia pra mim, mas como já falei não consigo, pois o meu maior problema é me pesar e tirar minhas medidas, isso... Jamais.
Nem minha irmã, que é nutricionista eu a deixo fazer isso, quanto mais um ou uma personal trainer.
To tentando fazer uns exercícios do Billy Blanks, mas sempre paro e penso: “Se eu emagrecer vai ficar aquelas peles caídas” ou “Nunca vou poder colocar uma blusinha, porque meu corpo é TODO rodeado de estrias”. To entrando em um a depressão que não agüento mais, choro o tempo todo, fico pensando como é ser magra, porque é uma coisa que eu nunca fui.
Não sei na verdade o que eu quero escrevendo aqui, mas me senti um pouco aliviada em compartilhar isso com alguém, sendo que eu não fiz isso nem com minha mãe... É esquisito, pois nem te conheço, mas sinto que to conversando isso com alguém que eu conheço há anos.
Bom, é isso, queria algumas palavras pra me incentivar, a ser uma menina mais alegre, feliz comigo mesma, sair, curtir, porque eu to na idade de me divertir, não de ficar em casa sem fazer nada. Tenho muito medo de não conseguir andar, de ficar que nem aquelas mulheres que passa na TV, que não conseguem andar, ou até mesmo, de ter o fim que elas tiveram.
Obrigada, e desculpa por contar minha vida toda aqui, rsrs.


Essa adolescente, assim como tantas outras, sofre silenciosamente. Não consegue aceitar sequer a ajuda oferecida pela família, observe que nem a irmã nutricionista é capaz de ajudar. Falta orientação, não apenas para a menina, para a família inteira. Além de um médico, essa menina que me procurou precisa, urgente, de um psicólogo, mas se a família inteira não modificar o comportamento, será difícil ter sucesso no tratamento

Acredito ser a escola o local mais adequado para dar a orientação que a família de crianças obesas necessita.   Falo aqui de orientação e não de tratamento. O que a família deve fazer? Quais os profissionais deve procurar? Como pode ajudar, de fato, a acabar com o sofrimento dessa criança/adolescente. Qual a postura que devem ter diante do comportamento dessa criança/adolescente.

Criar um programa de auxílio à criança/adolescente obeso pode trazer benefícios para a escola como um todo. Pode melhorar o desempenho dessas crianças nas aulas, aumentar a aderência às aulas de educação física, diminuir os casos de bullying e ainda evitar o aumento dos casos de obesidade entre as crianças com potencial para desenvolvê-la.

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