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11 de nov de 2010

Síndrome de Down e Educação Física: desafios vão além da inclusão

Mais uma vez os posts da Thelma do Blog Educar e Cuidar serviram de inspiração para escrever aqui, ela tem feito uma sequência de textos sobre a sexualidade das crianças com deficiência e me fez lembrar da época que trabalhei em escola e tinha alunos com síndrome de down. Vou começar pela minha história.
Durante dois anos dei aulas de escalada esportiva na Escola da Vila, uma excelente escola particular em São Paulo, pioneira no construtivismo.  A escola possuia alguns alunos com síndrome de down e um deles frequentava minhas aulas. Isso mesmo eu ensinava uma criança com deficiência mental a escalar. 
Um dos fatores facilitadores era o fato de todos na escola estarem acostumados com a presença e a participação dessas crianças nas atividades, a inclusão era um processo incorporado na dinâmica escolar.
Descrevo meu aluno como um menino inteligente e super esperto, na época estava com cerca de 10 anos e fazia  as mesmas atividades propostas para os demais. É fato que tinha algumas dificuldades do ponto de vista motor, o que não o impedia, inclusive de participar dos campeonatos. Do ponto de vista cognitivo as vezes eu precisava repetir as instruções e chamar sua atenção que se dispersava com facilidade, mas nada diferente do que se eu estivesse aplicando a atividade com crianças mais novas. Ele já havia passado por uma cirurgia cardíaca e tinha uma enorme cicatriz no peito.
Quem não conhecia o garoto poderia até ficar com pena, mas ele era danado! Logo percebia e aprontava! Quando eu chamava a atenção ou dava uma bronca, olhava pra mim e dava risada. Saudades dessa época!
 A inclusão é sempre um tema abordado quando tratamos de qualquer tipo de deficiência e é por demais importante, mas antes dela o profissional deve estar atento às características específicas de cada problema. As limitações de uma criança com síndrome de down vão além das cognitivas e motoras. O Down pode aprensentar:
  • Hipotonia, 
  • Redução da força muscular, 
  • Hipermobilidade articular, 
  • Pés planos, 
  • Escoliose, 
  • Alterações respiratórias, 
  • Instabilidade atlânto-axial, 
  • Doença cardíaca congênita, 
  • Doença do refluxo gastroesofágico,
  • Apnéia do sono obstrutiva,
  • Disfunçào na glândula tireóide,
  • Deficiências visual e auditiva, 
  • Presença de doenças convulsivas.
Por isso é preciso fazer uma avaliação e conhecer os problemas envolvidos antes de propor as atividades. E às vezes isso significa modificar totalmente o seu planejamento. Por exemplo crianças com instabilidade atlânto-axial, caracterizado por um espaço maior entre a primeira e segunda vértebras, não podem realizar atividades que impliquem em movimentos bruscos e impacto, como cambalhotas, nado golfinho e equitação.
A hipotonia e a reduçào da força muscular podem dificultar a participação em algumas atividades, já a hipermobilidade articular pode favorecer lesões.

O desenvolvimento das crianças com síndrome de down é atrasado quando comparado à outras crianças sem a síndrome, mas acontece normalmente desde que estimuladas corretamente. Apenas um pequeno número de downs possui retardo mental profundo. Muitos estudos mostram que as respostas fisiológicas do exercício físico são semelhantes às não portadoras.
Para facilitar o processo de aprendizagem os estímulos devem partir sempre do concreto. Usar instruções visuais facilita bastante, pois elas têm dificuldades em decompor tarefas, juntar habilidades e ideias, reter e transferir o que sabem e se adaptar a situações novas.
A palavra de ordem para o professor é paciência! Possivelmente aqueles que lidam com crianças na primeira infância terão mais facilidade em ensinar. 

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