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10 de jul de 2013

Dica de passeio em SP: Exposição Mais de Mil Brinquedos

Ontem iniciou uma exposição super interessante no SESC Pompéia que vai até 2 de fevereiro de 2014. Trata-se da exposição Mais de Mil Brinquedos que homenageia a mostra Mil Brinquedos para a Criança Brasileira, apresentada no ano de inauguração do Sesc Pompeia pela arquiteta e curadora italiana Lina Bo Bardi, que projetou um dos espaços mais representativos culturalmente em São Paulo.

Nesta edição, serão apresentados mais de 6 mil brinquedos, entre eles, aproximadamente, 200 itens expostos há 30 anos - incluindo uma boneca grega do século V a.C, feita de barro, e que estava na mostra de 82 - assim como peças de coleções particulares, artesanais e eletrônicas. Distribuídos em espaços temáticos, de acordo com o recorte curatorial de Renata Meirelles e Gandhy Piorski, a exposição será abrigada em uma área de 2 mil metros quadrados e conta com a direção de arte e cenografia de Vera Hamburger.

Para o Sesc, esta é uma ocasião especial de apresentar uma versão ampliada da primeira exposição que a unidade Pompeia acolheu e que, na época, foi muito significativa para a própria estrutura de organização de mostras voltadas para o público infantil. E agora, com a atualização de uma visão sobre a infância, pautada a partir das formas de pensar o brinquedo, aquele produzido pela indústria, pelo artesão e também pelas crianças. Para a coordenadora de programação do Sesc Pompeia,  Ilona Hertel, “os brinquedos trazem conteúdos diversos, reflexos da cultura, e padrões de comportamento, expresso, por exemplo, em  bonecas que apresentam modelos estéticos”. Ela explica, ainda, que esta exposição revela como é que a criança se relaciona com o brinquedo, intervindo e criando sua própria narrativa brincante, resultando em uma produção cultural. “É uma exposição que interessa às crianças, mas também aos pais e estudiosos”, destaca. a diretora de arte Vera Hamburger apresenta de forma viva e instigante uma grande “fábrica de brinquedos” como cenário da exposição, que inclui atividades interativas, a união da tecnologia contemporânea com a brincadeira e formas expositivas que proporcionam ao público experiências lúdicas. “Através dessa instalação, queremos  provocar o movimento do corpo  e os sentidos, que serão ativados pela curiosidade e pela surpresa”, comenta.

O público poderá percorrer livremente os espaços, subir rampas, atravessar túneis, passar por esteiras rolantes, se deparar com efeitos ópticos inusitados e descobrir vitrines escondidas. A proposta dos curadores vai de encontro ao projeto de Vera Hamburger, partindo do olhar e da lógica lúdica que move a criança.  Para o pesquisador da cultura tradicional popular, Gandhy Piorski, “o objetivo é demonstrar o brinquedo em sua construção e desconstrução”. A educadora Renata Meirelles completa que, essa nova versão da mostra, “traz a perspectiva de como funciona a imaginação da criança brasileira”. Para isso, a exposição está agrupada em espaços que representam segmentos do imaginário infantil.

Resultado de meses de trabalho, “garimpo” dos curadores, que percorreram o país em busca das peças mais representativas de cada região, os brinquedos são provenientes de importantes coleções particulares, de instituições culturais como o Museu do Mamulengo (Olinda), Museu do Índio (Rio de Janeiro), Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi e Instituto Brinquedo Vivo (São Paulo), Museu dos Brinquedos (Belo Horizonte) e Centro Dragão do Mar (Fortaleza), e também do Acervo Sesc de Arte Brasileira. Além de expor a trajetória do brinquedo, compondo e recompondo seu papel e lugar na infância das gerações desde a década de 30, o projeto tem como desafio refletir sobre a brincadeira, a forma como o brincar vem sendo banido dos espaços societários como a escola, a rua, a praça, o quintal.

Porém, a seleção das peças não pretende apenas mostrar uma parcela dos brinquedos que as crianças brasileiras utilizam, mas sim revelar como elas se apropriam desses objetos, mostrando aspectos da relação que as crianças estabelecem com esses brinquedos. Para isso, a mostra traz peças industriais, artesanais e construídas pelas próprias crianças. Há os brinquedos de miriti, confeccionados no Pará: artesanato com a fibra extraída da palmeira de miriti, técnica usada há mais de 200 anos por algumas famílias paraenses. As peças reproduzem utensílios utilizados pelos caboclos da floresta e bichos da região como jacarés, cobras e onças. A exposição traz também trabalhos de dois grandes artesãos parceiros do Sesc, Mestre Molina, já falecido e que chegou a ser funcionário do Sesc, responsável pela confecção de peças lúdicas para o Sesc Pompeia no período de 1986 a 1998, e o pernambucano Mestre Saúba.

Haverá também uma seção onde será possível acompanhar as etapas do processo produtivo de um brinquedo industrial: os moldes, as cabines de pintura e, por fim, o objeto finalizado. Contará ainda com espaços interativos, como a instalação “Mamulengo”, do designer, artista gráfico e animador Marcio Ambrósio, que desenvolveu um jogo específico para a mostra, onde um boneco de madeira ligado em um circuito elétrico, dentro de uma sala escura, ganhará vida por meio dos movimentos das pessoas que entrarem na sala e se movimentarem, tornando-os ator-marionetista e marionete.

Radamés Ajna, artista e consultor dos brinquedos tecnológicos da exposição, criou três trabalhos para a exposição: uma releitura de um jogo eletrônico ícone dos anos 70/80, com sensores que “atrapalham” o jogo entre duas pessoas; videogames portáteis que serão abertos como se tivessem explodido e que ainda assim poderão ser manuseados com seus componentes funcionando normalmente e um painel com blocos que funcionam com um sistema eletrônico interno, que quando conectados os sensores são ativados e as luzes acendem, transformando a “engenhoca” em uma brincadeira.

O artista Guto Lacaz também estará presente com sua obra inédita “Trigêmeos ciclistas”, feita exclusivamente para a mostra. A proposta é utilizar a força da água corrente para fazer girar uma roda d’água, fazendo movimentar um conjunto de três gangorras que estruturam três trilhos aéreos, sobre os quais três (mono) ciclistas andam de um lado para o outro ininterruptamente, parecendo bonecos minimalistas pendulares. Do brinquedo produzido no sertão até uma obra do artista Guto Lacaz, isso tudo e muito mais poderá ser visto em Mais de Mil Brinquedos para a Criança Brasileira, que seguirá até 2 de fevereiro de 2014.

Cerca de 50 profissionais estiveram envolvidos na montagem da exposição, desde a curadoria, cenografia, colecionadores, restauradores, artistas e artesãos, designers, aderecistas, efeitos especiais, arquitetos, engenheiros, produtoras de objetos, videomakers, light designers, montagem fina e cenotécnica.

O recorte curatorial

Tendo como ponto de partida a tentativa de afirmação do olhar da criança e seu uso sobre os brinquedos, Renata Meirelles e Gandhy Piorski trabalham a ideia do brinquedo como suporte de uma cultura, ou seja, o que a cultura oferece para a criança. A proposta da mostra é subverter o olhar e colocar foco naquilo que a criança oferece para a cultura, manifesta na apropriação que as crianças fazem do brinquedo.

Os curadores subdividiram a mostra em cinco conceitos ou espaços temáticos: O Mínimo e as Mãos, onde serão expostas miniaturas, como casa mobiliadas e fazendinhas, mini-cozinhas, revelando seu significado para a imaginação e estimulando atenção maior ao objeto, é o momento de internalização da cultura; Imagem e Similitude, composta por bonecos, robôs, mamulengos, transformers, soldadinhos, os chamados “brinquedos-espelho” e que, segundo pesquisadores, são os objetos considerados de maior carga cultural, pois carregam fortes valores culturais e estéticos; As Mãos e a Vontade, que traz objetos cuja construção já é a brincadeira; Tecnologias de Voo, com brinquedos relacionados com a suspensão e o voo, que são experimentos da espacialidade no brincar: brinquedos espaciais, bumerangues, petecas, bodoques, aviões e pipas, entre outros, compõem esse núcleo; e Ânima e Mecanismos, composta por carros, trens, autômatos, brinquedos de corda.


Curadores

Gandhy Piorski, artista, educador, pesquisador da cultura tradicional popular e mestre em Antropologia com projetos voltados para as práticas infantis, desenvolve um trabalho que faz referência à arte de construir o brincar, por meio da criação de brinquedos e esculturas que proporcionam uma experiência lúdica. Participou de exposições individuais e instalações no Brasil, incluindo a Bienal Internacional do Livro, e também no exterior.

Renata Meirelles, educadora, especialista em Arte-Educação pela ECA-USP, mestre em Educação e licenciada em Educação Física pela USP. Autora do livro Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil, vencedor do Prêmio Jabuti em 2008, é co-diretora de filmes sobre o brincar e também coordenadora iniciativas que percorrem o país, como o Projeto Território do Brincar, um trabalho de escuta, intercâmbio de saberes, registro e difusão da cultura infantil, realizado em parceria com o documentarista David Reeks e que até dezembro deste ano continuará visitando as comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, sertão e litoral, revelando o país através dos olhos de nossas crianças.

Diretora de arte e cenógrafa

Vera Hamburger, formada em arquitetura e urbanismo pela USP, atua nas áreas da direção de arte e cenografia para teatro, dança, ópera, cinema e exposições, onde também dedica-se à pesquisa e ensino. Iniciou carreira artística no teatro e desde então, colabora, como diretora de arte e cenógrafa, em produções cinematográficas de longa metragem, ao lado de diretores como Hector Babenco, Cacá Diegues, Cao Hamburger, entre outros. Em exposições, fez a curadoria da Ocupação Flávio Império, 2011, De malas prontas, o viajante do Sesc conta sua história, de 2009, O Castelo Ra tim bum, a exposição, apresentada no Sesc Belenzinho, em 2000, além da direção de arte da Será que foi, seu Juiz, no Museu do Futebol, em 2012 e participou do projeto cenográfico da Mostra Brasil 500 anos - módulos Arqueologia e Artes Indígenas e da XXI Bienal Internacional de Arte de São Paulo.

Visitação: 

De 9 de julho de 2013 a 2 de fevereiro de 2014, de terça a domingo, das 10h às 19h, incluindo feriados [última entrada às 19h, permanência até às 20h no espaço]

  • Local: Área de Convivência - SESC Pompéia - Rua Clélia, 93 - São Paulo Telefone para informações: (11) 3871-7700 
  • Classificação indicativa: Livre. 
  • Entrada gratuita
A exposição conta com um programa educativo. Visitas mediadas para grupos podem ser agendadas na Central de Atendimento (11) 3871-7700 ou pelo e-mail agendamento@pompeia.sescsp.org.br, das 9 às 18h.

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