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5 de jul de 2013

Maioria das crianças brasileiras não sabem ler nem fazer contas básicas adequadamente

Mais da metade das crianças brasileiras não são capazes de ler como deveriam. Esse é o resultado da Prova ABC, da ONG Todos pela Educação, divulgado no final de junho. Esse exame, que avalia a alfabetização, foi aplicado no final de 2012 a 54 mil crianças do 3º ano do ensino fundamental privado e público, com faixa etária de 8 anos.

Os dados variam regionalmente, mas há uma média nacional. Desse total avaliado, 55% não têm proficiência adequada em leitura, sendo que 25% das crianças testadas não conseguem sequer encontrar informações importantes, como dizer quem é o personagem principal ou qual é o tema do texto lido, mesmo em um material curto. A pesquisa também revelou que 67% delas estão ainda mais defasadas em matemática e não conseguem fazer as contas básicas esperadas para sua idade.

Para Vera Lúcia Pereira dos Santos, doutora em Linguística e em Língua Portuguesa e suporte pedagógico de Língua Portuguesa do Ético Sistema de Ensino, da Editora Saraiva, incentivar o gosto pela leitura é uma das missões dos professores em todas as fases do estudante. “Os benefícios da leitura ultrapassam o currículo da escola, mas são germinados por ela. A literatura, porém, não deve ser tratada, em primeira instância, como matéria didática que se ministra em minutos cronometrados pela duração de uma aula, ou várias, a que se subordina leitura obrigatória de livros”, afirma.

Porém, com as novas tecnologias virtuais, o livro impresso perdeu um grande espaço na formação de crianças e jovens. Por isso mesmo, é fundamental que o educador aproveite o espaço da sala de aula para despertar nos estudantes o interesse por ler sempre, e não só quando for obrigado pelo professor. “Há testemunhos desanimadores, como o de pessoas que se orgulham em dizer que nunca leram um livro inteiro na vida e, mesmo assim, entraram em uma faculdade apenas lendo resumos na internet. Ao mesmo tempo, é reconfortante saber que a geração atual de jovens está descobrindo o prazer de ler por meio de best-sellers, como os da saga Crepúsculo e os da série Harry Potter, que servem de ponto de partida para eles chegarem aos clássicos. Um livro puxa outro e prepara para o seguinte”, explica a doutora Vera.

Para atrair as crianças para o mundo da leitura, vale pensar em alguns aspectos, a começar pelo local em que ela acontece na escola. O ideal é que o espaço seja fresco e agradável, de modo a não cansar o aluno no meio da atividade. É também preciso buscar técnicas para estimulá-lo a seguir com o texto até o final, o que se torna mais fácil quando o professor não restringe as escolhas de temas ao seu gosto, mas, sim, permite que os alunos descubram o prazer de ler sobre assuntos do seu interesse.

De acordo com a pedagoga Francisca Giacometti Paris, mestre em educação e diretora pedagógica do Ético Sistema de Ensino, os métodos adotados tanto em sala de aula quanto em casa são determinantes para o aprendizado. Para ela, não há uma maneira única de estudar, mas o importante é que o estudante se sinta motivado e perceba que está evoluindo. “O melhor caminho para aprender pode ser identificado conjuntamente entre o estudante e o educador. Analisando caso a caso, define-se qual é a medida ideal de leituras e exercícios, por exemplo, de acordo com a capacidade e a necessidade do aluno, sem exageros”, explica.

A educadora ressalta que a intervenção pedagógica adequada dos educadores faz quase toda a diferença na escola, então esses profissionais precisam ser valorizados para também ter motivação para realizar seu trabalho com a melhor qualidade possível. “Apesar de a atividade docente estar cada vez mais complexa e exigente, a carreira tem um estatuto social decadente, formação fragilizada e remuneração baixa. É evidente que apenas oferecer um salário maior não irá comprometer nem qualificar o corpo docente, mas é imprescindível que haja políticas de ampliação das remunerações. Isso juntamente com políticas de avaliação externa de docentes, discentes e gestores, que indiquem intervenções técnicas de nossos gestores públicos, a fim de dar saltos na qualidade da escola pública”, finaliza Francisca.

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