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11 de fev de 2009

Buffet Infantil oferece risco às crianças

No último domingo fui à uma festinha infantil em um dos inúmeros buffets no bairro de Moema em São Paulo. Uma das atrações oferecidas era uma parede de escalada e um pequeno trajeto de arvorismo. Como algumas pessoas sabem trabalhei durante 4 anos com escalada indoor, hoje sou praticante esporádica e minha primeira preocupação quando vou à um local que oferece atividades em altura é com a segurança.

Assim que a parede foi "aberta" fui verificar as condições de prática e o que encontrei foi uma situação de extremo risco. A criança escalava usando uma cadeirinha (espécie de cinto) presa por uma corda que passava pelo topo (técnica chamada de top rope), na outra extremidade havia um monitor fazendo o que chamamos de "segurança", ou seja recolhendo a corda a medida que a criança subia, até aí tudo ok, se não fosse pelo fato dele não estar usando cadeirinha, muito menos um freio (oito, ATC, gri-gri). O monitor apenas puxava a corda com as mãos! E se em um momento de distração ele soltasse a corda? E se tivesse uma câimbra no braço? E um mal súbito? E se a criança escorregasse de repente e o pegasse desprevenido? A criança cairia de cerca de três ou quatro metros, direto no chão, pois também não havia colchão. Como se isso fosse pouco fui olhar de perto o nó que atava a corda à cadeirinha da criança e era um nó comum, do tipo nó cego, com várias voltas, com certeza para "garantir" que não soltaria.
Procedimento correto:

Ambos escalador e segurança devem estar usando
cadeirinha e esta deve estar atada à corda por um nó "oito duplo", para
facilitar pode-se usar um mosquetão (com trava) para prender a cadeirinha na
alça do nó e facilitar o manuseio.

Não é a primeira vez que vejo absurdos como esse acontecerem em buffets, pelo menos desta vez faziam a troca das estações no arvorismo de forma segura, mantendo sempre as crianças presas e os monitores também, mas já houve mais de uma ocasião onde isso não ocorria.

Fiquei na dúvida se deveria interferir ou não. A última vez que alertei o fato, discuti com um monitor, causei mal estar na festa e ainda fui gozada pela pessoas que não enxergavam o risco e afirmavam que por ser mais pesado que as crianças o monitor não as deixaria cair. Optei por ficar calada, proibi minha enteada de subir e torci para que tudo terminasse bem.

Será que quem vende a parede de escalada ao buffet, oferece também um treinamento de segurança? Se esse treinamento é oferecido será que o buffet se preocupa em refazê-lo cada vez que há troca de monitores na equipe? Será que os proprietários de buffets não percebem que pode ocorrer um acidente fatal? Quem faz a fiscalização do uso desses equipamentos?

Aqui fica o meu alerta aos pais. A escalada indoor é uma atividade muito segura, desde que sejam cumpridas as normas básicas de segurança em altura. Meus filhos praticam desde pequenos, já dei aulas para crianças de 2 à 17 anos e nunca ocorreu um acidente, mas para isso é preciso no mínimo bom senso, treinamento e uma boa dose de conhecimento específico.

3 comentários:

  1. Olá.

    Realmente esse é um fator comum na maioria dos buffets e também em clubes, acampamamentos de férias, etc..

    Uma dica legal, é começar a ensinar as crianças desde pequena a fazer os nós e a reconhecer os riscos de um nó mal feito, podemos até brincar com elas em pequenas paredes para mostrar o que acontece quando um nó não está feito da forma correta.

    Ao menos garantimos a segurança dos nossos filhos...

    Abs

    LEvi Rodrigues
    www.good4kids.com.br

    ResponderExcluir
  2. Olá Denise,
    gostei muito da sua observação pois também já trabalhei com esportes radicais e sei da importância das normas de segurança serem seguidas. Numa próxima vez eu sugiro que você não entre em atrito com o monitor, que muitas vezes está ali só para "tirar um troco". Fale diretamente com o responsável pelo buffet. Não sei se existem normas de segurança reguladoras (algum orgão que fiscalize), se você souber de algum, poderia denunciar o buffet.
    Espero ter ajudado de alguma forma!
    Carla

    ResponderExcluir
  3. Respondendo para a Carla

    Oi Carla!

    De fato foi ingenuidade minha achar que o monitor ia resolver alguma coisa, tudo aconteceu no calor do momento, ví a situação de risco e interferi imediatamente.
    De lá pra cá já fui à diversos buffets e a situação é sempre a mesma. Já fiz o que você sugeriu, falar com o responsável, deram uma desculpa qualquer no momento, mas a parede continuou a funcionar.
    A fiscalização é complicada, pois precisaria ocorrer no momento do funcionamento. Talvez a iniciativa devesse partir das associações de escalada, mas eles têm muitas outras coisas para se preocupar.
    A idéia do Levi, que fez o comentário acima, é interesante. Educar. Aqui no Brasil não existe a cultura da escalada, na França, por exemplo isso não aconteceria. As crianças nascem subindo pelas paredes!

    Um abraço

    Denise Carceroni

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